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Jaqueira na R. Jd Botânico 

Aproveitar os espaços públicos gratuitos ao ar livre é um dos meus passeios preferidos com os meninos. E nisso, o Rio não me deixa na mão. O sábado amanheceu aberto, brilhante, sem nuvens, era o próprio “lindo dia de primavera“. A vontade que eu tinha era de ter uma festa num lugar de gramado bem comprido, tomar espumante e conversar com amigos.

Mas não tinha nada disso. Estávamos sozinhos e sem programa, o que está longe de ser ruim. E para acabar de vez com o romance, Antônio queria caçar Pokémon no Parque Lage. Como ele estava mesmo merecendo uma recompensa e eu adoro o lugar, topei. Nessas horas, o melhor é tentar ver o mundo pelos olhos deles, que tornam tudo muito mais interessante.

Estacionamos em uma rua lateral e mal saímos do carro, uma surpresa. Uma jabuticabeira! Os frutos estavam verdes ou velhos ou comidos, mas ela estava lá, bem na beira da calçada, toda viçosa. E em um dos galhos, um ninho. Descobrir esse tipo de coisa no meio da rua, pra mim, é como achar um tesouro.

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Ninho na jabuticabeira

Caminhamos até o parque, passando por jaqueiras e paus ferros, uma árvore que o Antônio desde pequenininho aprendeu a reconhecer. Mesmo tendo ensinado, eu me surpreendia quando, aos dois ou três anos, ele nos apontava a árvore de tronco duro e manchado e a nomeava. Achava uma coisa linda. Elas ainda estão lá. Firmes.

Antes de entrar no parque parei para fotografar o lado feio da história que o Rio também sempre tem. É meio cansativo. Olha essa fiação. Não sei se é perigoso como parece, mas um desleixo certamente é. Esse tipo de coisa ainda me impressiona muito aqui.

 

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Fiação na Jardim Botânico

Assim que entramos, passei o celular para o Antônio que mal abriu o programa já foi capturando os tais Pokémon e comemorava todo feliz. Pedro também curtia a alegria do irmão e ia dizendo com intimidade aqueles nomes esquisitos dos personagens, que ele também adora: Charmander, Caterpie, Golbat, Psyduck.

Mas, como só tinha um celular e três pares de olhos, acabamos descobrindo muito mais do que apontava a telinha do eletrônico.

Uma delas é essa flor linda que colore o chão de rosa na primavera. Já a encontramos por outras ocasiões, mas não sabia o que era. Apanhei uma do chão e comentei que adorava. A cor é mesmo linda, olha! E não é que Antônio deixa os Pokémons de lado, pega e simplesmente come a flor. Dei um grito. Diz ele que na escola tem uma árvore dessa e todo mundo come a flor. Cheguei em casa e fui pesquisar. Descobri que era flor de jambo! Veja só! A cor do jambo encanta desde que ainda é flor. Só não consegui saber se eram mesmo comestíveis.

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Flor de jambo

O Parque Lage também tem um aquário. Eu só soube disso, sei lá, na terceira ou quarta vez que fomos lá. É pequeno, um pouco apertado para visitar em um dia cheio como sábado, mas é um barato. Tem até um tubarãozinho. O tanque preferido do Pedro é o das piranhas. A gente vê muito programa de bicho na TV e quando ele reconhece um ao vivo é um acontecimento. Ainda mais quando é perigoso. A piranha foi um.

Vimos também macacos-pregos, minhocas, aranhas e aves, que eles sempre adoraram. Ao lado do palacete, onde dezenas de pessoas aproveitavam o incrível cenário e se enfileiravam em poses para fotógrafos profissionais e amadores, havia uma feirinha, onde eram vendidos livros com as aves da Serra dos Órgãos expostos também em um banner promocional. Pedro parou e ficou se exibindo. “Olha, mãe, o saí, o sanhaço! Só não sei se aquele de asas abertas é uma coruja ou uma espécie de águia”. Eu também não sabia, mas ficou a dúvida para ser respondida um dia. Depois ainda teve um grilo que ele tentava espantar da folhagem e nada do grilo saltar. “Mãe, olha, ele tá grudado!

Já estava pintando uma certa fome e Antônio adora comprar beliscos na rua. Paramos na carrocinha em frente, compramos biscoito Globo, água e Guaravita. R$ 12. Voltamos para casa felizes da vida.

Acho que ainda haverá dias de viagens incríveis por lugares que ainda não conhecemos, de festas em gramados compridos com espumante entre amigos, mas ontem isso não fez a mínima falta. Havia poesia e felicidade por onde a gente passou.

Estrada do Sol, Tom Jobim

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