horários escola, refeição e sono
Antes de saber ler, a criança já convive com as regras e horários que fazem sua rotina

Já parou para pensar quantas ordens diárias você dá aos seus filhos? Tive a cachimônia de contar e cheguei à conclusão de que são, pelo menos 40, sem contar as repetições por desobediência e por ter dois filhos. Senão, teria alcançado facilmente os mais de cem verbos imperativos, negativos e positivos, ditos diariamente aos meninos.

Tipo:

  1. Acorda
  2. Barriga pra cima (pra eu ajudá-lo a trocar de roupa)
  3. Levanta
  4. Toma o leite
  5. Não deixe entornar na cama
  6. Escove os dentes
  7. Penteie o cabelo
  8. Lave as mãos
  9. Venha almoçar
  10. Sente direito
  11. Não ponha a mão na comida
  12. Não se levante antes de terminar
  13. Coma de boca fechada
  14. Coma tudo
  15. Inclua ao menos uma verdura ou legume
  16. Escove os dentes
  17. Coloque o aparelho (de dentes)
  18. Faça a tarefa
  19. Desligue a TV
  20. Venha fazer o lanche
  21. Não jogue bola na sala
  22. Não brigue com seu irmão
  23. Não bata a porta
  24. Fale direito comigo
  25. Vá tomar banho
  26. Passe o shampoo
  27. Esfregue bem seu corpo
  28. Saia do banho
  29. Feche a torneira
  30. Não molhe o tapete
  31. Enxugue bem o corpo
  32. Não saia molhado pela casa
  33. Ponha as roupas no cesto
  34. Penteie os cabelos
  35. Separe a roupa da escola
  36. Confira o material da escola
  37. Venha jantar
  38. Deite
  39. Sossegue
  40. Silêncio (ou Cale a boca, dependendo da paciência…)
  41. Apague a luz
  42. Durma.

Ponha uma ou duas doses de carinho nas frases e tire uma ou duas doses de paciência e pode-se dizer que este é um quadro real da rotina da minha casa. Confesso que ao fim de dia estou exausta de tanta ordem. Ficava encafifada. Será que é assim mesmo ou estou exagerando?

Até que uma vez, depois da palestra de uma excelente psicanalista na escola dos meninos, perguntei a ela o que fazia de errado se os meninos custavam para atender às minhas ordens, mas ao pai bastava falar uma vez que eles logo cumpriam, sem contestar, nem espernear. Será que eu estava errando? Ela me disse que era para eu ficar tranquila, que eu estava fazendo o certo, cumprindo exatamente o meu papel e o meu marido, o dele. Desde então, me consolei – o que não me impede de berrar sem paciência quando eles desobedecem ou se esquecem da ordem dada todo dia. Mas os meninos também têm seu papel, né? De testar seus próprios limites. E os nossos.

 

 

Anúncios